É melhor chorar do que usar tranquilizantes


Em Apocalipse, o apóstolo João citando as Palavras de Cristo, disse: “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21.4).

A vida tal como a experimentamos agora não é o que gostaríamos que fosse. Em vez de ficarmos paralisados ou decepcionados, precisamos nos conscientizar de que há muito mais por vir no céu (Romanos 8.18). Lá, Deus nos proverá com aquilo que realmente desejamos, aquilo que fomos criados para experimentar.
Desejamos estar em perfeito relacionamento com Deus e com os outros, estar livres de mágoa e da dor, mas nada disto acontecerá nesta vida num nível que nos satisfaça completamente. Por isso temos de gemer e esperar, aguardando com esperança o dia em que todas as lágrimas serão enxugadas. O autor clássico, C. S. Lewis, escreveu que “Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; esta é seu megafone para despertar um mundo surdo”.

Já o psiquiatra Roberto Faucett afirma que as pessoas que interiorizam suas angústias e reprimem o choro, especialmente quando sofrem tragédias correm riscos de sofrerem colapsos. Disse ainda que é melhor chorar do que usar tranquilizantes. Se tiver impulso para chorar que chore.
Mais tarde, tais argumentos foram confirmados pelo psicólogo Roberto Ziemer, aqui de São Paulo. Ele assegura que diversos problemas psicossomáticos e também episódios de depressão têm sua origem na repressão do choro. As lágrimas ajudam a pessoa não só a expressar suas necessidades, mas também preenchê-las.

O antigo filósofo, Sêneca, já tinha escrito, “as lágrimas aliviam a alma”. Nem mesmo Jesus reprimiu suas lágrimas. Existem três narrativas bíblicas que mostram que ele chorou. Primeiro, ele chorou junto ao túmulo de seu amigo Lázaro (João 11.35). Segundo, quando profetizava a destruição de Jerusalém (Lucas 19.41). Finalmente, o autor aos Hebreus nos diz que Jesus ofereceu “com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia” (Hebreus 5.7). Este choro provavelmente se referia à intensidade da oração de Jesus no Jardim do Getsêmani (Mateus 26.39). Como se vê, o nosso Mestre amado procurava exteriorizar suas emoções de modo legítimo. E nós precisamos também aprender a fazer o mesmo, afinal, decepção não mata, ensina a viver.

Pastora Keila Ferreira

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